Marlene Olímpia Querubim em entrevista exclusiva para A Sua Cara

Em entrevista exclusiva para A Sua Cara, a empresária Marlene Olímpia Querubim revela os segredos do circo e os principais benefícios que ele oferece aos veículos de publicidade, como uma alternativa econômica, eficiente e rentável de comunicação comercial.

ASC: Empresária, fundadora do Circo Spacial, da Federação Paranaense de Teatro, da União Brasileira de Circo Itinerante e da Academia Brasileira de Circo, atriz, poetiza e escritora formada em matemática. Marlene, com tantos atributos e talentos, você continua sendo a única mulher a dirigir um Circo nos dias atuais?

MQ: Até o momento, infelizmente sim. Mas acredito que está surgindo uma nova geração de mulheres que, dentro de alguns anos, estarão totalmente capacitadas e preparadas para administração de um circo.

ASC: Qual a origem desta paixão pelo Circo? O que ele representa para você?

MQ: Paixão à primeira vista! Na verdade, não nasci praticamente no circo. Mas juro que quando entrei em um circo pela primeira vez na minha cidade, em Cascavel, tudo me encantou. Na hora pensei: é essa vida que eu desejo para mim! Quero visitar as cidades, conhecer novas pessoas, produzir artistas e viver da magia do circo.

ASC: Quando e como surgiu o Circo Spacial?

MQ: Surgiu em agosto de 1985. Eu já trabalhava algum tempo no Circo Mágico, que ficava no Parque Anhembi. Mas quando a área foi substituída pelo atual sambódromo, tive o desejo de montar um circo novo para sair viajando pelo Brasil. Assim surgiu o Circo Spacial.

ASC: Como é realizada a escolha dos artistas?

MQ: Na escolha dos artistas gosto de manter dois elementos, que são os números tradicionais, que nos remetem à nostalgia e às boas lembranças, além das atrações modernas, onde costumo viajar para conhecer novos números e incorporar ao espetáculo. Sendo assim, existem artistas contratados pela formação vinda do circo tradicional, uma educação que se transmite entre as gerações de forma hereditária, além dos artistas formados em escolas, com instruções mais completas e estudos pedagógicos. Sou a favor da política do nepotismo completamente! (risos) É um prazer viajar e trabalhar com a minha família, sem favoritismo e sem privilégios. Dentre os duzentos funcionários do Circo Spacial, atualmente cerca de trinta e cinco são pessoas compostas da minha família. Acho que é importante você transferir todo o amor e carinho para as futuras gerações que, posteriormente, cuidarão do circo.

ASC: Há muitos critérios para escolha e liberação do local onde o Circo possa se instalar? Seu público alvo é previamente estabelecido e segmentado?

MQ: Sim, precisamos analisar previamente todos os fatores favoráveis e desfavoráveis do terreno e outras características importantes. Tudo pode interferir no andamento e na adaptação do circo na região. Aliás, para se conseguir um alvará hoje em dia são necessários dezoito pedidos! A burocracia é muito grande. Por isso, estamos lutando junto aos órgãos legislativos por melhorias, facilitando os processos sem abrir mão da segurança e sempre respeitando a lei. Quanto ao público alvo, não há segmentação. O circo não faz distinções, aderindo a qualquer classe social, sexo e idade.

ASC: Segundo informações relatadas em seu livro, o Marketing Cultural no Circo se iniciou em 1979. Houve alguma resistência, por parte dos empresários, para utilização desta nova prática?

MQ: Em 1979, quase todas as empresas começaram a utilizar o circo como veículo de comunicação. Na época, muitas companhias circenses não gostavam da idéia de associar algum produto aos seus artistas. E algumas empresas ainda desconheciam a força do marketing circense. Depois foi comprovado que quando uma família se reúne e se diverte ao assistir um número circense, este pode ser um momento perfeito e único para que o consumidor receba uma mensagem publicitária, associando ao lazer, à cultura e à descontração.

ASC: E, atualmente, o Marketing Cultural no Circo ainda enfrenta as mesmas dificuldades?

MQ: Sim. Alguns circos são conhecidos e utilizados pela mídia, outros não. As próprias agências publicitárias ainda desconhecem a força e o trabalho do circo nos dias atuais. Com boas referências e experiências comprovadas, posso afirmar que o circo é uma alternativa econômica, eficiente e rentável de comunicação comercial.

ASC: De uma maneira geral, resumidamente, como funciona o Marketing Cultural no Circo? Quais as formas mais utilizadas de divulgação?

MQ: Hoje em dia há muitas formas, com opções bem diversificadas para se adaptar ao anunciante: desde um simples merchandising, patrocínios, co-patrocínios, apoios culturais, promoções, espetáculos sociais, eventos, até propriamente o lançamento de um produto. Agências publicitárias e anunciantes conseguem uma ótima captação de clientes utilizando o espaço interno e externo do circo. Na verdade, a mídia do circo também é muito forte na cidade em que ele se encontra, porque utiliza outros veículos de comunicação como o rádio, televisão, jornal, outdoor, carro de som, panfletos, folhetos e revistas. Sendo assim, o patrocinador também pode se apropriar da mesma divulgação, tornando-se extremamente viável para sua visibilidade no mercado.

ASC: Você acredita que o Marketing Circense possui características singulares que o torna eficaz aos anunciantes, como uma mídia alternativa?

MQ: Com certeza. Isso porque o marketing circense se adapta a qualquer circunstância, a todos os diferentes tipos de públicos, além de possuir uma mobilidade muito grande. Pode-se avaliar, de imediato, o impacto e o resultado de uma campanha promocional, aspectos analisados ao término de cada espetáculo. O circo tem a característica única de ser, simultaneamente, anunciante e veículo de comunicação.

ASC: Em sua opinião, quais os principais motivos que desencadearam um aumento do número de empresas que começaram a investir em cultura como diferencial competitivo no mercado? Além da questão da responsabilidade social, existem leis de incentivos fiscais que beneficiam esta prática?

MQ: As empresas, aos poucos, começam a perceber a força do marketing do circo fundamentado principalmente na questão da acessibilidade, com poder de compra concentrado na reunião familiar. O circo proporciona momentos positivos, agrega públicos diversificados e facilita o poder de compra ao permitir a opinião de cada membro da família. As leis de incentivos fiscais, bem como a Lei Rouanet, também facilitam esta prática, não se esquecendo do comprometimento com a responsabilidade social, que favorece a imagem da empresa no mercado competitivo atual.

ASC: O Circo é um dos principais agentes criadores de ações promocionais hoje utilizadas na propaganda. Como podemos observar esta forte influência no estilo de nossa publicidade atual?

MQ: O circo contribuiu tanto para a publicidade quanto para a televisão brasileira. Nos comerciais podemos observar a questão da alegria, da espontaneidade, do colorido e do lúdico, aspectos revelados pela cultura circense. Nas novelas, podemos ver a participação de artistas consagrados pelo circo, como por exemplo, Lima Duarte, Bibi Ferreira, Marcos Frota e tantas outras personalidades. Na verdade, o circo também contribuiu muito para o desenvolvimento de todos os tipos de artes como o teatro, a dança e a moda. E a publicidade soube captar bem esse espírito de vanguarda, felicidade, entusiasmo, colorido, da brincadeira, da criatividade e da magia, incorporando aos seus personagens, seja direta ou simbolicamente, a figura do palhaço, dos animais, entre outros elementos do circo. A publicidade aprendeu a utilizar bem esse conceito, produzindo comerciais fantásticos sem disponibilizar de muitos recursos.

ASC: Existe alguma relação de concorrência entre os Circos? Como ela se procede?

MQ: Existe muita concorrência. E eu, particularmente, adoro instigar a concorrência! (risos) Isso é favorável para o nosso próprio crescimento, porque eleva o nível de qualidade e a eterna busca pela superação de limites, trazendo novidades ao circo de uma maneira muito saudável. O próprio artista busca diferenciais para se manter no mercado. É o desafio que atrai o público e comove a platéia. Nos dias de hoje, o circo brasileiro é reconhecido e respeitado mundialmente, por revelar tantos artistas ao exterior e por desenvolver o melhor número de globo da morte do mundo!

ASC: Além de várias premiações recebidas pelo consagrado livro "Marketing de Circo", lançado pela editora Oriom em 2003, com importância ímpar por ser o primeiro a abordar considerações sobre o marketing circense, este livro também é considerado o pioneiro no exterior?

MQ: Sim, o meu editor Manoel Cavalcante Filho fez uma pesquisa e constatou que não havia, antes de 2003, nenhum outro livro que abordasse esse tema. Por volta de 2005, o grupo do Circo Soleil lançou um livro com uma linguagem parecida, mas posso dizer com muito orgulho, o livro "Marketing de Circo" foi lançado com exclusividade no gênero.

ASC: Marlene, atualmente você possui outros trabalhos e/ou novos projetos?

MQ: Lancei em dezembro de 2007 o livro "Coração Na Lona" pela editora Oriom, com várias poesias e poemas que retratam as emoções da vida nômade do circo. Este livro foi lançado no dia do palhaço, justamente para homenagear meu irmão e meus dois filhos que trabalham como palhaços. No momento, tenho vários projetos em andamento, como um livro de romances, ainda sem previsão de título, que vai contar um pouco da minha história de vida, minhas lutas e vitórias ao longo dos anos. Em breve, lançarei outro livro chamado "Técnicas Circenses", dirigido a estudos acadêmicos e aos profissionais da área circense. Para 2010 estamos criando, juntamente com alguns colaboradores, uma ópera circense, a primeira do Brasil, além da comercialização de um DVD homenageando aos vinte e cinco anos do circo. Aguardem!

ASC: Para os amantes do Circo Spacial e para aqueles que desejam ingressar no Circo Escola, como adquirir outras informações?

MQ: Basta entrar em contato com a Academia Brasileira de Circo, que atualmente está instalada em frente ao Shopping Anália Franco, ou adquirir informações no site www.academiadecirco.com.br, onde disponibilizamos cursos profissionalizantes e cursos livres para iniciantes. Qualquer pessoa pode praticar alguma atividade circense desde que tenha uma liberação médica, inclusive crianças acima de cinco anos, além de ser recomendável principalmente para pessoas que precisam perder peso ou trabalhar musculatura, agilidade, criatividade e resistência física. Outras informações, acesse ao site www.spacial.com.br para poder viajar com o Circo Spacial e aprender modalidades ao longo das temporadas! Também posso recomendar alguns livros do gênero como "Circo Nerino" de Verônica Tamaoki, "Palhaços" de Mario Fernando Bolognesi e "A História do Circo no Brasil" de Ermínia Silva, além da biografia do Beto Carreiro e de um livro recém-lançado pelo Circo Garcia. Leia e apaixone-se!

ASC: Agradecendo a entrevista, A Sua Cara deseja eterna continuidade da bela magia circense! Porque o show não pode parar!

MQ: Obrigada pelo espaço, gostaria de fazer um apelo aos pais para que apresentem o circo aos seus filhos. Apesar da falta de tempo, vale a pena trocar a televisão do final de semana pela emoção de vivenciar um espetáculo circense ao vivo, compartilhando esses momentos únicos em família. Quem assiste ao espetáculo sabe que ele fica guardado para sempre na mente e no coração das pessoas. Sempre há um circo na periferia com um preço acessível, tenho certeza que é uma ótima dica de lazer para toda a família. Além disso, é muito importante que as agências publicitárias também conheçam o profissionalismo do circo. Mais de mil anunciantes já perceberam e se beneficiaram dessa parceria, comprovando que o circo é uma mídia eficaz e eficiente ao mundo dos negócios!