A escritora e pesquisadora de circo Verônica Tamaoki, uma das autoras do livro Circo Nerino (Selo Pindorama Circus e Editora Codex), afirma que o preconceito contra os circos – especialmente contra animais no circo já provocou tragédia no Brasil. Ela conta que no dia primeiro de novembro de 1981, em Foz do Iguaçu (PR), o garoto Miquelangelo Alves da Silva, de 4 anos de idade desapareceu da casa dos seus pais. Boatos atribuíram o sumiço ao “vampiro de Foz”, que matava criancinhas para retirar-lhes o sangue, e ao Circo Garcia, acusado de servir o menino de comida para os leões.
Ainda de acordo com Verônica, a Polícia Federal acreditou no segundo boato. “Foi até o Circo Garcia e deteve o domador, Oswaldo Stevanowitch, e os tratadores Pedro de Oliveira e Orlando Pereira. Na delegacia, os circenses foram torturados para confessar o crime que não haviam cometido. No meio da pancadaria, o agente Mário Sérgio Zaghesky teve a idéia de enfiar na boca de Orlando um revolver calibre 38. Queria assustar o circense, e para assustar ainda mais puxou o gatilho. Pensava, justificou-se depois, que a arma estivesse descarregada. Mas a arma estava carregada. Orlando Pereira, com o rosto esfacelado, morreu na própria delegacia. Tinha 22 anos”, relata a historiadora especialista em circo.
Quase dez anos depois, em abril de 1991, o Circo Stancowitch foi montado na cidade de Jataí (GO), no mesmo dia em que uma equipe da secretaria de saúde iniciava campanha de controle da raiva. O trabalho incluía vacinação e recolhimento de cães soltos na rua. Correu então o boato de que os cães recolhidos pela carrocinha eram levados ao circo para alimentar os leões. “Por isso, quando seu cachorro sumiu, Orestes Martins foi procurá-lo no circo. Chegando lá, foi tomar satisfação com Wilson Stancowitch. De acordo com testemunhas, a conversa entre eles foi rápida. O circense negou por duas vezes que seus animais fossem alimentados com carne de cachorro. Martins então sacou um revolver e atirou em Wilsom Stancowitch que morreu na hora. Tinha 45 anos.”
Por essas e outras tantas histórias semelhantes, a autora defende que neste momento em que o Congresso Nacional discute uma legislação acerca da presença de animais em circos, é importante denunciar à sociedade brasileira o preconceito existente contra os circenses.














