Um dos quadros de grande suspense no picadeiro é o globo da morte. Criado nos EUA em 1904, veio para o Brasil na década de 30, trazido pelo italiano Guido Conci e seus globistas. Habilidade, reflexo e controle da velocidade constante da moto, são requisitos para que tudo corra bem durante uma apresentação.
A globista Marcia Aparecida Cabral Zanquettin, 38 anos, já tirou o fôlego de muita gente ao longo de 20 anos de globo da morte.
Nascida em Naviraí (MS), durante a itinerância do Circo Zanchettini, foi criada no picadeiro e teve a oportunidade de aprender várias técnicas circenses.
A paixão pelo globo da morte veio logo cedo, quando ela e o irmão Márcio assistiam aos espetáculos dos grandes circos que passavam pelas cidades. Quando voltavam para a realidade do pequeno Circo Zanchettini, improvisavam brincadeiras com canos simulando o guidão da moto. Nascia aí a dupla de globistas.
A chegada da esfera de aço – que tem apenas 4.9 metros de diâmetro - foi uma grande sensação no circo. Nos ensaios das primeiras voltas usaram bicicletas e Marcio foi o primeiro a fazer uma apresentação oficial. Em seguida, muito treino com moto e bicicleta e na noite de domingo, dia 21 de maio de 1989, para orgulho de dona Wanda (a matriarca do Zanchettini) e do pai Primo Julio, os dois irmãos finalmente estrearam com duas motos fazendo looping e outras manobras radicais. Um verdadeiro sucesso.
Simultaneamente, Márcio ensinava a técnica ao irmão menor, Silvio. E logo o trio de globistas garantia ao circo da família o recorde de público e bilheteria.
Na época, não havia mulher pilotando no globo da morte e Márcia Zanchettin reinou absoluta por um longo período abrindo caminho para outras tantas artistas. Durante a itinerância, recebeu convites de importantes circos do Brasil e do exterior: Las Vegas, Austrália, África do Sul, entre outros, mas nunca pensou em aceitar, pois o amor pelo circo da família sempre falou mais alto. Fez temporadas no Paraguai, Argentina e Bolívia, sempre com grande sucesso.
Ao longo dos vinte anos de carreira, Márcia - assim como a maioria dos circenses - encontrou muitos obstáculos e dificuldades, mas superou e comemora suas conquistas com orgulho.
Foto – Divulgação Circo Zanchettini














