08/11/2008 - 17h48 Gazeta Online
Os animais já foram as grandes atrações dos picadeiros. Mas quem for aos circos que estão em Vitória não vai encontrar nenhum. Não por vontade dos donos. As apresentações com leões, elefantes, macacos e diversos outros bichos não podem mais ser realizadas em algumas cidades devido a leis municipais de proteção aos animais. O Mundo Mágico de Beto Carrero, que está na capital desde a semana passada, é um dos mais tradicionais neste tipo de apresentação, mas não viaja mais com seu elenco animal por conta dessas leis. No Estado, somente Vila Velha tem um projeto que define essa situação.
A polêmica sobre os animais de circos é grande e divide opiniões. De um lado, várias ONGs defendem a proibição dos bichos nas apresentações circenses. De outro, os donos de circos reivindicam a criação de regras para os cuidados com os animais. A audiência pública sobre o projeto da Lei do Circo - que está em tramitação no Congresso desde 2003 e trata do registro dos circos no Ministério da Cultura e das medidas de proteção aos animais circenses - estava marcada para o começo de novembro, mas foi adiada e ainda não tem data para ser realizada.
A forma como os animais são tratados gera debate. As organizações não governamentais denunciam os maus tratos e a negligência dos circos. "As técnicas usadas para adestrar esses animais são agressivas e radicais", afirma o vice-presidente da Associação Amigos dos Animais do Espírito Santo (Amaes), Rômulo Vitório. Já os circenses consideram a lei absurda e acusam as ONGs de querer os animais adestrados. "Essas organizações querem os bichos para criar mini-zoológicos", rebate o presidente da União Brasileira de Circos Itinerantes (UBCI), Wlademir Spernega.
O administrador dos circos Di Napoli e Koslov, Arthur Ayres, afirma que a lei é antidemocrática. "O circo tem que ter animal sim, mas tem que ter fiscalização. A proibição não pode ser para todo mundo." Segundo Ayres, a macaca Catarina, que esteve em Vitória no mês passado com o circo Koslov, é um exemplo dos bons cuidados com os animais circenses. Há 32 anos, ela é uma das atrações do picadeiro.
Crise nos circos
O presidente da União Brasileira de Circos Itinerantes (UBCI), Wlademir Spernega, destaca que a proibição dos animais nas apresentações circenses prejudica os mais de 2500 circos do País. "A situação dos circos no Brasil é muito precária. E proibir a presença de animais é colocar em risco a sobrevivência de uma comunidade com cerca de 50 mil pessoas. Se o projeto for aprovado, mais de 10 mil pessoas vão ficar desempregadas."
Para Spernega, a medida não é justa com aqueles que tratam bem os bichos. ''Os bons circos têm pessoal especializado e capacitado para cuidar dos animais. O que precisamos é de uma legislação clara, que determine regras para que só aqueles com condições tenham bichos''
Denúncias de crueldade
As denúncias de maus-tratos a esses animais são inúmeras. As associações de proteção aos animais alegam que a retirada dos bichos do seu habitat natural já é uma agressão. "Eles têm sentimentos. Precisam ser respeitados", afirma Rômulo Vitório, vice-presidente da Associação Amigos dos Animais do Espírito Santo (Amaes).
De acordo com Vitório, esses animais são treinados praticamente sob tortura e não têm condições mínimas de higiene nem alimentação adequada. Em muitos casos, eles têm presas e garras arrancadas e, quando doentes ou velhos, são descartados pelos circos.
A Promotoria de Meio Ambiente é responsável pela fiscalização do tratamento que é dado aos animais. Mas, para denunciar os maus-tratos, é preciso entrar em contato com a Polícia Civil e fazer um boletim de ocorrência.













